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- Ringo Starr completa 85 anos em plena atividade com turnê nos EUA e novo álbum solo
Ringo Starr, ex-baterista dos Beatles, completa 85 anos nesta segunda-feira (7), mantendo-se como um dos últimos representantes ativos da geração de ouro do rock dos anos 1960 e 1970. Atrás apenas de Bill Wyman, ex-baixista dos Rolling Stones, que tem 88 anos, Ringo segue em plena forma, atualmente em turnê pelos Estados Unidos com sua All-Starr Band. Em janeiro deste ano, ele lançou seu 21º álbum solo, Look Up, uma incursão pelo country em parceria com o produtor T Bone Burnett. A turnê americana teve uma primeira etapa entre os dias 12 e 25 de junho e retorna de 10 a 25 de setembro. A formação atual da All-Starr Band conta com músicos experientes do rock internacional: Colin Hay (Men at Work), Steve Lukather (Toto), Hamish Stuart (Average White Band), Gregg Bissonette (baterista de David Lee Roth), Warren Ham (Kansas, Toto) e Buck Johnson (Aerosmith). Desde sua criação, em 1989, mais de 70 músicos já integraram o projeto em formações rotativas. Com 67 anos de carreira, Ringo começou como baterista da banda Rory Storm and The Hurricanes, em 1958, e entrou para os Beatles em agosto de 1962. Desde então, acumula uma trajetória solo sólida, marcada por sucessos como It Don't Come Easy, lançado em 1971, que lhe rendeu um disco de ouro nos Estados Unidos. Seu primeiro álbum solo, Sentimental Journey, saiu em março de 1970, pouco antes do fim oficial dos Beatles. Famoso pelo bom humor e vitalidade, Ringo atribui sua longevidade no palco a um estilo de vida disciplinado. Ele pratica meditação transcendental, faz exercícios físicos regularmente, segue uma dieta vegetariana há 25 anos e está sóbrio desde 1988, junto com sua esposa, a atriz Barbara Bach, com quem é casado desde 1981. Atualmente, o casal vive em uma mansão avaliada em US$ 14 milhões em Beverly Hills, na Califórnia. Com uma fortuna estimada em US$ 350 milhões, Ringo tem reduzido suas aparições no cinema — participou de 15 filmes ao longo da carreira — e tem se concentrado na música. Ao lado de nomes como Phil Lesh (Grateful Dead) e Bob Dylan, ambos com 84 anos, Ringo Starr segue ativo e disposto. Como ele costuma dizer em português: “Enquanto tiver bambu, tem flecha.”
- Matt Cameron anuncia saída do Pearl Jam após 27 anos como baterista da banda
O baterista Matt Cameron anunciou nesta segunda-feira (7) sua saída do Pearl Jam, encerrando uma trajetória de 27 anos com a banda de Seattle. Cameron, de 62 anos, entrou para o grupo em 1998, pouco depois do fim do Soundgarden, banda com a qual ganhou destaque durante o auge do grunge nos anos 1990. Em comunicado publicado nas redes sociais, o músico agradeceu aos colegas e fãs pelo período ao lado do grupo. “Após 27 anos fantásticos, dei meus últimos passos na bateria do poderoso Pearl Jam”, escreveu. “Muito amor e respeito a Ed, Mike e Stone por me convidarem para a banda em 1998 e por me darem a oportunidade de uma vida, repleta de amizades, talento artístico, desafios e risadas.” Cameron também expressou gratidão à equipe técnica e aos fãs ao redor do mundo, chamando sua passagem pela banda de “uma jornada incrível”. Foto: Danny Clinch O Pearl Jam divulgou um comunicado oficial sobre a saída do baterista, descrevendo Cameron como “um músico e baterista singular e verdadeiramente poderoso”, relembrando sua contribuição desde as primeiras demos da banda nos anos 1990. “Ele impulsionou os últimos 27 anos de shows ao vivo e gravações de estúdio do Pearl Jam. Foi um capítulo profundamente importante para o nosso grupo e desejamos-lhe sempre o melhor”, diz o texto. “Sentiremos muita falta dele e ele será para sempre nosso amigo na arte e na música.” Até o momento, o grupo não anunciou um substituto oficial para Cameron. A banda segue em turnê e prepara o lançamento de um novo álbum.
- O último rugido do príncipe das trevas
O Villa Park, estádio onde geralmente se celebram as vitórias e derrotas do Aston Villa, transformou-se numa espécie de Valhalla do heavy metal numa tarde de julho. Ali, diante de milhares de fiéis devotos vestidos de preto, Ozzy Osbourne subiu ao palco pela última vez – ou pelo menos é o que ele promete, numa carreira pontuada por aposentadorias e retornos épicos. Aos 76 anos, o homem que um dia mordeu a cabeça de um morcego no palco e urinou no Álamo chegou ao seu show de despedida de uma maneira que oscilava entre o majestoso e o melancólico. Sentado num trono digno de um rei medieval – uma necessidade ditada pelos problemas físicos que o acometem –, Osbourne emergiu das entranhas do palco como uma aparição teatral. A plataforma hidráulica que o elevou até o nível dos mortais conferiu um ar solene ao momento, como se Birmingham recebesse não apenas um músico, mas um monarca decadente retornando de um longo exílio. O festival Back to the Beginning, construído como uma homenagem tanto a Osbourne quanto ao Black Sabbath, reuniu um panteão do metal que funcionou como uma espécie de velório antecipado do gênero. Metallica, Guns N' Roses, Tool, Slayer – todos ali para prestar reverência ao patriarca que ajudou a inventar o vocabulário sonoro que os nutriu. O set solo de Osbourne, enxuto como convém a um homem que precisa economizar energia, trouxe cinco canções que funcionaram como uma autobiografia musical comprimida. "I Don't Know" abriu o testamento sonoro, seguida por "Mr. Crowley" – a balada gótica que certa vez fez mães conservadoras se benzeram em todo o mundo. "Suicide Solution", "Mama, I'm Coming Home" e "Crazy Train" completaram o repertório, cada uma delas carregada de uma carga emocional que transcendia a simples nostalgia. Mas foi a reunião do Black Sabbath que conferiu ao evento seu peso histórico. Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward, os outros três cavaleiros do apocalipse musical, subiram ao palco para o que prometem ser a última vez. A formação original da banda que, em 1970, num estúdio improvisado em Birmingham, gravou os primeiros acordes do que viria a ser conhecido como heavy metal, fechou assim um ciclo que durou mais de meio século. O caráter beneficente do evento – com os lucros destinados à Cure Parkinson's, Birmingham Children's Hospital e Acorn Children's Hospice – adicionou uma camada de redenção a uma carreira construída sobre transgressões e excessos. O homem que um dia foi excomungado por grupos religiosos agora levanta fundos para hospitais infantis, numa ironia que só a passagem do tempo consegue produzir. Para aqueles que não puderam fazer a peregrinação até Birmingham, o festival ofereceu transmissão online por cerca de 80 reais – um preço módico para testemunhar o fim de uma era. A transmissão, propositalmente atrasada em duas horas, funcionou como uma espécie de delay temporal, como se o próprio tempo precisasse de um momento para processar o que estava acontecendo. Ozzy Osbourne - Ross Halfin O Back to the Beginning foi, em última análise, mais que um festival de música. Foi um ritual de passagem, uma cerimônia de encerramento para uma geração que transformou o barulho em arte e a rebeldia em religião. E no centro de tudo, sentado em seu trono como um rei Lear do rock, Ozzy Osbourne ofereceu ao mundo seu último rugido – um som que ecoará muito depois de o último amplificador ter sido desligado e o último fã ter voltado para casa.
- O Retorno dos irmãos impossíveis
O Cardiff's Principality Stadium transformou-se numa espécie de tribunal familiar numa sexta-feira de julho, onde sessenta mil pessoas pagaram pequenas fortunas para testemunhar algo que muitos juraram que jamais aconteceria: os irmãos Gallagher no mesmo palco, respirando o mesmo ar rarefeito da fama, fingindo que não passaram as últimas décadas se detestando publicamente. Noel e Liam, agora veteranos de 58 e 52 anos respectivamente, subiram ao palco carregando nas costas não apenas guitarras e microfones, mas dezesseis anos de ressentimento acumulado e uma reputação de serem os siblings mais disfuncionais do rock britânico desde os Davies do Kinks. A abertura com "Hello" soou como uma ironia shakespeariana. "É bom estar de volta", cantou Liam, numa frase que poderia ser interpretada como uma confissão ou uma mentira educada. O show transcorreu com a teatralidade de um armistício diplomático – os irmãos mantiveram distância segura no palco, como dois ímãs de mesma polaridade forçados a conviver no mesmo campo magnético. O momento mais revelador veio no final: um breve abraço que selou a união. Foi um gesto que durou segundos, mas que custou décadas para acontecer. PA Images via Reuters Connect O setlist funcionou como uma viagem nostálgica aos anos 1990, quando o Britpop era a trilha sonora da Cool Britannia e Tony Blair ainda era considerado o futuro. "Definitely Maybe" e "What's the Story (Morning Glory)" dominaram a noite, com "Wonderwall" e "Don't Look Back in Anger" provocando momentos de catarse coletiva que lembravam mais uma sessão de terapia em grupo do que um show de rock. Numa decisão editorial curiosa, o show prestou homenagem a Diogo Jota, jogador português do Liverpool morto em acidente – lembrando que futebol e música sempre foram as duas obsessões gêmeas da classe operária britânica. "Foi absolutamente incrível — o melhor show da minha vida", declarou Nathan Price-Gearey à Associated Press, num depoimento que soava mais como alívio do que euforia. Afinal, depois de esperar dezesseis anos, qualquer coisa que não terminasse em pancadaria já seria um sucesso. A turnê Live '25 promete ser uma das mais lucrativas da história recente, com datas que se estendem até novembro e passagem por São Paulo. Fundado nas ruas operárias de Manchester em 1991, o Oasis foi, durante uma década, a banda que melhor capturou o espírito de uma Inglaterra que acreditava novamente em si mesma. Oito álbuns no topo das paradas britânicas depois, os irmãos Gallagher conseguiram a façanha de brigar tanto que se tornaram mais famosos pelas brigas do que pela música. A briga final em 2009, nos bastidores de um show na França, entrou para o folclore do rock como o término definitivo. Cardiff provou que algumas feridas nunca cicatrizam completamente – apenas fingem que sim quando há público suficiente assistindo e dinheiro suficiente em jogo. O Oasis voltou não porque os irmãos Gallagher se reconciliaram, mas porque descobriram que podem se odiar profissionalmente por duas horas e ainda assim arrancar lágrimas de nostalgia de uma geração inteira. No final, talvez seja isso que sempre foi o Oasis: um experimento sobre quanto rancor dois irmãos podem carregar e ainda assim fazer música que emociona multidões.
- Foo Fighters volta à cena com música inédita em meio a turbulências e celebração de 30 anos
O Foo Fighters não apenas sobrevive — ele persiste, mesmo quando todos os ventos sopram contra. Após meses de silêncio forçado por escândalos e reviravoltas nos bastidores, a banda liderada por Dave Grohl reaparece com um novo single, “Today’s Song”, em plena comemoração pelos 30 anos de seu álbum de estreia. A canção, lançada nesta quarta-feira (2), é a primeira inédita desde o disco But Here We Are (2023), que havia sido concebido como resposta à perda de Taylor Hawkins, baterista e alma pulsante do grupo, morto em 2022. A nova faixa chega embalada por uma carta aberta escrita por Grohl — uma espécie de confissão emocional com cheiro de mofo de porão e saudade de estrada. Nela, o vocalista transforma uma memória de Ação de Graças de 1994 em mitologia pessoal: a noite em que conheceu Nate Mendel e, com ele, deu os primeiros passos para formar a banda. Com nostalgia temperada por assombração (literal — um tabuleiro Ouija dá o tom do início do texto), Grohl reconta o nascimento do Foo Fighters como quem revisita um velho diário, manchado de vinho barato e fita cassete. A carta, longa como a estrada que a banda percorreu, alterna lembranças íntimas, agradecimentos sinceros e confissões públicas sobre perdas, cicatrizes e reconciliações. Sem fugir dos fantasmas recentes — incluindo a demissão de Josh Freese e o escândalo envolvendo sua vida pessoal — Grohl os contorna com lirismo, buscando abrigo na metáfora da lagosta que troca de carapaça para crescer. O recado é claro: o Foo Fighters é um organismo em mutação, que insiste em existir mesmo quando o mundo parece querer desmontá-lo. “Today’s Song” é, então, menos um comeback do que um manifesto — ou talvez um pedido de trégua entre quem faz a música e quem a escuta. Com versos que falam sobre atravessar rios e se afogar no meio, a faixa carrega o peso de uma banda que já viu demais, perdeu demais, mas ainda assim escolhe seguir. Há dor, mas também há um tipo de fé, quase juvenil, na capacidade de reconstrução. Trinta anos depois daquele jantar de Ação de Graças em uma casa mal-assombrada, o Foo Fighters segue como uma dessas árvores que Grohl tanto menciona — com raízes fundas o bastante para resistir à tempestade. E, mesmo rachado por dentro, o tronco ainda se mantém de pé. Porque há algo de inquebrável no que nasceu como brincadeira entre amigos e virou refúgio para milhões. A música de hoje, afinal, é só mais uma entre tantas. Mas, para quem sabe escutar, pode ser tudo.
- Judas Priest presta tributo ao Black Sabbath com releitura de “War Pigs”
Fora do gigantesco festival Back to the Beginning, que neste sábado (5) celebra a despedida definitiva do Black Sabbath dos palcos, o Judas Priest encontrou uma forma de marcar presença — mesmo sem pisar no palco de Birmingham. A banda lançou uma versão encorpada de “War Pigs”, clássico de 1970 que abre o icônico álbum Paranoid, como tributo ao quarteto que moldou os alicerces do heavy metal. A homenagem ganhou videoclipe e tudo — com um bônus que comove: Glenn Tipton, guitarrista afastado das turnês após o diagnóstico de Parkinson, aparece no vídeo em uma tocante participação. A banda afirmou em comunicado que tocar “War Pigs” é um ritual que antecede todos os seus shows e que, com essa gravação, presta amorosa reverência a Ozzy Osbourne e à banda que “definiu um gênero inteiro”. Rob Halford, vocalista do Judas, contou à Metal Hammer que o convite para participar do evento de despedida existiu, sim — veio diretamente de Sharon Osbourne, esposa e empresária de Ozzy. Mas a data colidiu com outra celebração: um show conjunto com o Scorpions, em Hanôver, em homenagem aos 60 anos dos alemães. “Foi anunciado, virou um acontecimento… e aí vem a Sharon me ligar. Fiquei arrasado”, contou Halford. Mesmo com a possibilidade de um jato particular, Halford recusou por julgar arriscado tentar duas apresentações em dois países no mesmo dia. Ainda assim, o espírito do Judas estará no Back to the Beginning: K.K. Downing, membro fundador da banda, subirá ao palco como convidado. “Ele representa todos nós”, disse o vocalista, destacando o peso simbólico da noite para Birmingham — a cidade onde tudo começou. O show final do Black Sabbath acontecerá no estádio Villa Park e contará com uma constelação de nomes da música pesada: Metallica, Slayer, Tool, Pantera, Guns N’ Roses, Alice in Chains, entre muitos outros. Todo o lucro será revertido a instituições de caridade. Um adeus digno de quem forjou o metal na bigorna e no trovão.
- Metallica prova que nostalgia vende: Load remasterizado conquista o Reino Unido
O Metallica acabou de provar que às vezes olhar para trás é o melhor jeito de seguir em frente. O relançamento remasterizado de Load alcançou o primeiro lugar das paradas inglesas, mais especificamente da U.K. Official Rock & Metal Albums. O álbum também conquistou o quinto lugar na Official Vinyl Albums e o sexto na Official Album Sales — porque hoje em dia você precisa de pelo menos três rankings diferentes para entender se algo deu certo ou não. Load voltou às lojas no dia 13 de junho, 28 anos depois do lançamento original, com áudio remasterizado pela dupla Reuben Cohen e Greg Fidelman. Esses dois já passaram pelas mãos de gente como Slipknot, Black Sabbath e U2, então sabem exatamente como fazer um som antigo parecer novo sem perder a essência — aquela alquimia moderna de pegar algo que já funcionou e fazer funcionar de novo. Divulgação A nova versão está disponível em todos os formatos possíveis e imagináveis: CD, CD triplo, vinil duplo, cassete, boxset com pôster, patch, palhetas, cards e "outros mimos" (porque colecionador de metal é igual criança, gosta de surpresinha). Também tem as versões digitais para quem prefere a praticidade do streaming ao ritual de tirar o disco da capa. Load, lançado originalmente em 4 de junho de 1996, foi aquele disco que dividiu opiniões como poucos. A banda deixou o thrash metal de lado para apostar em nuances alternativas — uma guinada sonora que na época fez muita gente torcer o nariz e gritar "vendidos!" Quase três décadas depois, o álbum estar no topo das paradas inglesas é a prova de que o tempo é mesmo o melhor juiz: às vezes o que parece traição vira clássico, e o que era polêmico se torna nostálgico. O sucesso do relançamento também revela algo sobre nosso momento atual: vivemos uma era onde o passado é constantemente reembalado e vendido como novidade. E funciona, porque há algo reconfortante em revisitar aquilo que já conhecemos, especialmente quando vem com a promessa de uma qualidade sonora superior e alguns brindes exclusivos para adoçar a nostalgia.
- Quando errar na contagem vira marca registrada
Todo mundo já passou por aquela situação: fala algo errado na frente de todo mundo e depois isso vira sua marca registrada. O Bono do U2 sabe exatamente do que se trata essa experiência. Desde 2004, quando "Vertigo" foi lançada, aquele "Uno, dos, tres, catorce!" que abre a música intriga meio planeta. Tipo, gente, todo mundo sabe contar até quatro em espanhol, né? Uno, dos, tres, cuatro. Básico. Mas o Bono resolveu pular direto pro quatorze e pronto: virou lenda. É assim que funciona a vida: você pode ser genial mil vezes, mas erra uma contagem e vira "o cara que não sabe contar". Como aquela pessoa que numa apresentação no trabalho disse "vou falar sobre três pontos" e listou sete. Ninguém esquece. A genialidade some, o erro fica. O mais engraçado é que as pessoas começaram a inventar teorias mirabolantes. Que era referência bíblica (Êxodo 3:14, onde Deus se apresenta a Moisés). Que tinha a ver com ser o 14º álbum da banda. Que era alguma sequência matemática super complexa. Gente, às vezes a resposta mais simples é a correta: o cara se empolgou e errou. E faz todo sentido. Quantas vezes a gente não se empolga falando e sai qualquer coisa? Tipo quando alguém está contando uma história super animada e de repente inventa um detalhe que não existia? É isso. É humano. O que impressiona é a reação do Bono depois de décadas sendo questionado sobre isso. Ele podia ter inventado uma explicação poética, uma metáfora profunda sobre a vida. Mas não. Assumiu: "Me empolguei e errei. Pode acontecer com qualquer um." Isso lembra daquelas sessões de terapia onde a gente aprende que não precisa justificar cada respirada que dá. Às vezes erramos e está tudo bem. Não precisa virar uma tese de doutorado. Mas a parte mais genial é quando ele diz que agora, nos shows ao vivo, se recusa a cantar "cuatro". Tipo: "Vocês me encheram tanto o saco que agora não vou dar o braço a torcer". É quase um ato de rebeldia adulta. Ele sabe como falar quatro em espanhol, óbvio, mas não vai fazer isso só pra agradar quem ficou décadas implicando com ele. Todo mundo faz isso. Quando alguém fica corrigindo demais, a gente desenvolve uma birra interna e para de aceitar sugestões daquela pessoa. É imaturo? Talvez. É humano? Totalmente. No fundo, o "catorce" do Bono virou símbolo de uma coisa maior: nossa resistência em admitir que às vezes simplesmente erramos sem motivo profundo. E nossa teimosia em não consertar o erro quando todo mundo fica pegando no nosso pé. Fica aí a solidariedade ao Bono. Errar faz parte. E se recusar a consertar um erro que já virou marca registrada? Também faz parte. Pelo menos agora sabemos que todo mundo tem suas questões existenciais com erros bobos do passado.
- AHPE lança "Mundo Caos": o antídoto contra coaches de Instagram e otimismo tóxico
Mundo Caos não é daquelas músicas pra relaxar ou se sentir melhor. É um tapa ardido na cara, bem na hora em que você abre o Instagram e dá de cara com um coach exibindo seu relógio caro como um crachá simbólico de sucesso pessoal, enquanto o mundo desaba ao redor. Com hardcore temperado pelo sotaque do Sul, a nova faixa da AHPE retrata uma realidade onde “o errado é correto e o correto é o imoral”, onde todo mundo tem razão demais pra conseguir ouvir qualquer coisa além da própria voz. Lançada pela via crucis do selo Se Vira Music, Mundo Caos foi gravada no estúdio Dead Marshall, por Dave Deville, em Caxias do Sul. Porque, se é pra cantar o colapso espiritual do planeta, nada mais justo do que sair de um lugar chamado “Dead” alguma coisa. A faixa, perfeita pra nomear o que todo mundo sente mas quase ninguém consegue articular, também marca a estreia do novo baterista Dudu Ferreira, que parece estar descontando na bateria toda a frustração acumulada dessa bagunça geral, ao lado de Kyd Monteiro (baixo) e Déco Santin (voz e guitarra). Em tempos em que “se acham modernos mas tão na inquisição”, a AHPE não oferece catarse nem consolo. Oferece o espelho. Aquele mesmo que Renato Russo já cantava em Índios: “nos deram espelhos e vimos um mundo doente”. Ouça Mundo Caos em todas as plataformas e confira o clipe dos caras: AHPE – Mundo Caos (Clipe Oficial)
- Tatiana Shmayluk mostra como se faz: vídeo em uma tomada única de "Hedonist" que deixa todo mundo sem fôlego
Tatiana Shmayluk, vocalista do Jinjer, acabou de lançar um vídeo que é basicamente um masterclass de como cantar sem precisar de autotune, dublagem ou qualquer artifício moderno. A performance de "Hedonist" foi gravada em uma única tomada — aquela coisa rara de encontrar hoje em dia, quando até stories do Instagram têm mais edição que filme de Hollywood. O vídeo é a continuação de "Judgement (& Punishment)", que ela fez em 2019 e já acumulou mais de 11 milhões de visualizações. É impressionante como uma mulher ucraniana cantando metal consegue juntar tanta gente numa era em que a atenção das pessoas dura menos que comercial de intervalo. Mas Tatiana tem esse dom: faz você parar o que está fazendo para assistir uma pessoa cantando, e você fica ali, hipnotizado, pensando "como diabos ela consegue fazer isso?" Entre os anúncios do vídeo, o Jinjer também confirmou mais duas datas na Europa para 2026 — Portugal e Itália se juntaram à turnê Duél, que será a primeira grande excursão da banda pelo continente em seis anos. Seis anos é uma eternidade no mundo da música, especialmente quando você vive num país que virou manchete internacional por motivos que ninguém queria que virassem. A escolha de fazer esses vídeos one take não é só exibicionismo (embora um pouco seja, e está tudo bem). É uma forma de provar que por trás de toda a produção moderna ainda existe talento bruto, aquela coisa que não se compra nem se baixa. Em tempos de inteligência artificial fazendo música e hologramas substituindo artistas, ver alguém simplesmente cantando — e cantando absurdamente bem — é quase um ato de resistência. O Jinjer conseguiu algo raro: fazer metal progressivo ucraniano virar fenômeno global enquanto o mundo inteiro conhece o país deles por outros motivos. É a prova de que às vezes a arte consegue falar mais alto que qualquer manchete de jornal, e que uma voz potente pode ecoar muito além das fronteiras geográficas ou políticas. Confira!
- 80 anos de Raul Seixas: série, shows e tributos celebram o Maluco Beleza
Raul Seixas faria 80 anos. Isso mesmo: o Maluco Beleza, o cara que dizia ter nascido há 10 mil anos atrás, agora teria idade para pedir prioridade na fila da farmácia. Mas ele não está morto, pelo menos não completamente. Uma série biográfica, shows, exposição, DJs, holograma de inteligência artificial, remix eletrônico com alma de vinil e até performance de fã no camarim cenográfico do MIS prometem ressuscitar o mito em todas as formas possíveis. Uma comoção vintage pop que diz muito mais sobre a saudade coletiva de um país sem bússola do que sobre nostalgia pura. A série "Raul Seixas: Eu Sou", que estreia no Globoplay, leva o tributo a sério. Tão a sério que o ator Ravel Andrade foi corrigido por um produtor por tocar um ré errado com o dedo errado. Tudo para que o Raulzito que aparece em cena, improvisando, compondo, se debatendo com sua própria lenda, seja mais do que um cosplay bem maquiado. É a história de um artista que criou um personagem tão forte que engoliu o criador. Do menino de Salvador ao profeta do caos, passando por Elvis, discos voadores e, claro, uma visitinha mítica à casa de John Lennon. Ravel Andrade interpretando Raul Seixas em cena da série "Raul Seixas: Eu Sou" — foto Ariela Bueno/Divulgação Mas o que realmente emociona é ver que Raul ainda pulsa, mesmo recriado em bits e bytes. Vivian, filha dele, comanda shows, prepara remixes e até conversa com o Raul digital que foi recriado com IA. É brega? É lindo? É tudo isso junto. Porque Raul era isso, a mistura impossível entre o ridículo e o genial, entre a crítica social ácida e o deboche que abraçava o absurdo com gosto. E essa memória afetiva está agora espalhada em 13 salas de exposição, cada uma baseada numa música. Nada de ordem cronológica, porque Raul não cabia em linha reta. Entre um playback, uma garrafa, uma ideologia e uma mosca na sopa, o Brasil reencontra um pedaço seu. O homem que avisou, antes de qualquer rede social, que sociedade é uma engrenagem enferrujada, e que ser maluco, às vezes, é o jeito mais lúcido de existir. A série mostra tudo, o gênio, o mito, o homem destruído pelo álcool e pelas próprias ideias radicais. Raul não volta em carne e osso, mas volta em espírito, e talvez seja esse o único tipo de reencarnação que um Maluco Beleza precisa.
- Lorde lança disco, mostra a alma e quase tudo mais
Lorde voltou. Mas não só com disco novo - voltou rasgando o peito (e a calcinha, literalmente). Virgin, lançado nesta sexta, é um álbum que sangra. Tem raio-x de pélvis na capa, DIU à mostra, relatos sobre transtornos alimentares, identidade, trauma e a mãe. Nas entrelinhas, ela basicamente abre as pernas e o coração, sem pedir desculpa. Capa de Virgin , novo álbum de Lorde/Reprodução São 11 faixas em clima de sintetizador pesado e verdades íntimas. Samples de Dexta Daps e até de “Suga Suga” ajudam a temperar esse pop cru e pulsante. Nos bastidores, nomes como Jim-E Stack, Daniel Nigro e Justin Vernon jogam gasolina na fogueira emocional. No Glastonbury, ela estreou o álbum ao vivo, faixa por faixa, com o sol nem nascido e a plateia quase desmaiando. “Este disco me custou muito”, confessou, suada, iluminada, exausta. Aplausos. Gente chorando. Portões fechados por superlotação. Era só ela ali, livre e pelada de todas as formas. Virgin não é só mais um disco. É um grito disfarçado de música pop. Uma confissão dançando em cima da própria ferida. E quem esperava a menina do Royals, talvez se assuste: ela cresceu. E virou um furacão de carne, beat e coragem.
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