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Quando errar na contagem vira marca registrada

  • Foto do escritor: Olivia Lancaster
    Olivia Lancaster
  • 1 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura
Bono U2

Todo mundo já passou por aquela situação: fala algo errado na frente de todo mundo e depois isso vira sua marca registrada. O Bono do U2 sabe exatamente do que se trata essa experiência.

 

Desde 2004, quando "Vertigo" foi lançada, aquele "Uno, dos, tres, catorce!" que abre a música intriga meio planeta. Tipo, gente, todo mundo sabe contar até quatro em espanhol, né? Uno, dos, tres, cuatro. Básico. Mas o Bono resolveu pular direto pro quatorze e pronto: virou lenda.

 

É assim que funciona a vida: você pode ser genial mil vezes, mas erra uma contagem e vira "o cara que não sabe contar". Como aquela pessoa que numa apresentação no trabalho disse "vou falar sobre três pontos" e listou sete. Ninguém esquece. A genialidade some, o erro fica.

 

O mais engraçado é que as pessoas começaram a inventar teorias mirabolantes. Que era referência bíblica (Êxodo 3:14, onde Deus se apresenta a Moisés). Que tinha a ver com ser o 14º álbum da banda. Que era alguma sequência matemática super complexa. Gente, às vezes a resposta mais simples é a correta: o cara se empolgou e errou.

 

E faz todo sentido. Quantas vezes a gente não se empolga falando e sai qualquer coisa? Tipo quando alguém está contando uma história super animada e de repente inventa um detalhe que não existia? É isso. É humano.

 

O que impressiona é a reação do Bono depois de décadas sendo questionado sobre isso. Ele podia ter inventado uma explicação poética, uma metáfora profunda sobre a vida. Mas não. Assumiu: "Me empolguei e errei. Pode acontecer com qualquer um."

 

Isso lembra daquelas sessões de terapia onde a gente aprende que não precisa justificar cada respirada que dá. Às vezes erramos e está tudo bem. Não precisa virar uma tese de doutorado.

 

Mas a parte mais genial é quando ele diz que agora, nos shows ao vivo, se recusa a cantar "cuatro". Tipo: "Vocês me encheram tanto o saco que agora não vou dar o braço a torcer". É quase um ato de rebeldia adulta. Ele sabe como falar quatro em espanhol, óbvio, mas não vai fazer isso só pra agradar quem ficou décadas implicando com ele.

 

Todo mundo faz isso. Quando alguém fica corrigindo demais, a gente desenvolve uma birra interna e para de aceitar sugestões daquela pessoa. É imaturo? Talvez. É humano? Totalmente.


 

No fundo, o "catorce" do Bono virou símbolo de uma coisa maior: nossa resistência em admitir que às vezes simplesmente erramos sem motivo profundo. E nossa teimosia em não consertar o erro quando todo mundo fica pegando no nosso pé.

 

Fica aí a solidariedade ao Bono. Errar faz parte. E se recusar a consertar um erro que já virou marca registrada? Também faz parte. Pelo menos agora sabemos que todo mundo tem suas questões existenciais com erros bobos do passado.

 
 

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