Springsteen lança canção contra ações do ICE nos EUA
- Dante Azevedo

- há 6 dias
- 2 min de leitura
Nova música do Boss critica violência estatal, cita mortes em Minneapolis e mira Trump e aliados em um protesto direto e sem metáforas excessivas.

Bruce Springsteen voltou a fazer o que sempre soube: usar a música como megafone. O cantor lançou de surpresa uma nova canção online em crítica direta ao ICE, agência federal dos Estados Unidos responsável pelo controle de imigração, hoje no centro de uma crise que extrapolou fronteiras e virou assunto global.
A música surge após operações em Minneapolis que terminaram com civis mortos e elevaram a tensão social no país. Em 7 de janeiro, Renée Good, de 37 anos, foi baleada por um agente durante uma ação. Poucos dias depois, em 24 de janeiro, Alex Pretti, enfermeiro de ascendência italiana, morreu em outro tiroteio ligado a operações do ICE. O episódio ecoa de forma pessoal para Springsteen, filho de imigrantes italianos por parte de mãe.
“Escrevi esta música no sábado, gravei ontem e lancei hoje”, afirmou o músico nas redes sociais. Segundo ele, a faixa é uma resposta ao que chamou de “terrorismo de Estado” em Minneapolis. A dedicatória é clara: à cidade, aos imigrantes inocentes e à memória de Pretti e Good. O recado final vem curto e direto, no estilo do Boss: “Mantenham-se livres”.
Com pouco mais de quatro minutos, a canção segue a tradição do protest song americano, lembrando o tom narrativo e seco de Bob Dylan em Desolation Row. Springsteen não evita nomes. O presidente Donald Trump aparece de forma indireta, enquanto Stephen Miller e Kristi Noem, figuras centrais da política anti-imigração do governo, são citados explicitamente na letra.
Nos versos, não há filtro nem alegoria excessiva. Há violência, sangue na neve, tiros justificados como “legítima defesa” e uma denúncia clara do que o cantor vê como abuso de poder. É Springsteen no modo mais cru, menos hino de estádio e mais crônica amarga do país real.
Sem campanha, sem aviso prévio e sem polimento comercial, o lançamento soa como urgência. Quando a política fecha portas, Springsteen faz o que sempre fez: abre o amplificador, escreve rápido e canta antes que o silêncio vire regra.
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