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- Show de Marilyn Manson em Brighton é cancelado após pressão popular — e talvez um pouco de bom senso
Marilyn Manson teve seu show em Brighton, Inglaterra, cancelado após uma campanha intensa de políticos e ativistas. A apresentação estava marcada para 29 de outubro como parte da turnê "One Assassination Under God Tour" – nome que, convenhamos, não poderia ser mais profético considerando as circunstâncias. Grupos como "Male Allies Challenging Sexism" e "No Stage for Abusers" pressionaram as autoridades locais, enquanto a deputada do Partido Verde, Siân Berry, escreveu uma carta aberta questionando se oferecer uma plataforma para o artista condiz com os valores da cidade. A polêmica não é nova. Desde 2021, Manson enfrenta múltiplas denúncias de abuso sexual e violência doméstica, o que o manteve longe dos palcos por anos. Somente em agosto do ano passado retomou as atividades ao vivo, passando até pelo Peru em março. Mas a sombra das acusações o persegue como um fantasma inconveniente que insiste em aparecer nos momentos menos oportunos. Em janeiro deste ano, a promotoria de Los Angeles decidiu não formalizar acusações criminais contra o cantor. Algumas denúncias estavam prescritas, outras não tiveram comprovação suficiente. A promotoria reconheceu a coragem das mulheres que se manifestaram, mas admitiu não conseguir provar as acusações "além de qualquer dúvida razoável" – aquela frase que toda vítima conhece e que ressoa como uma porta batendo na cara. Phil McCarten/Reuters A defesa de Manson celebrou a decisão, declarando "muita satisfação" com a conclusão da investigação. Porém, outros processos seguem em andamento, alguns resolvidos com acordos extrajudiciais, outros arquivados. É aquela dança jurídica que conhecemos bem: um vai e vem de papéis, prazos e tecnicalidades enquanto as questões de fundo permanecem suspensas no ar. No sábado, os fãs que compraram ingressos receberam a notificação da Ticketmaster sobre o cancelamento e o reembolso garantido. Manson não se pronunciou sobre o ocorrido. As demais datas da turnê seguem confirmadas até dezembro, mas Brighton virou um símbolo: às vezes, mesmo o rock mais transgressor precisa parar para ouvir o que a sociedade tem a dizer sobre limites, responsabilidade e as consequências de nossos atos.
- My Chemical Romance custa caro, mas as taxas da Eventim doem mais que adolescência emo
A Eventim resolveu que três taxas não eram suficientes para sugar o consumidor brasileiro e inventou mais uma: a "taxa de processamento". Porque, aparentemente, cobrar taxa de serviço e taxa de administração já não bastava para cobrir os custos de... bem, fazer o trabalho deles. Agora querem mais 3,8% para "proteger dados financeiros" - como se isso fosse um favor extra que estão fazendo, não uma obrigação básica de qualquer empresa que mexe com dinheiro. A situação ficou cômica quando tentaram justificar a nova cobrança. Segundo a empresa, a taxa serve para "custos essenciais do sistema de pagamentos eletrônicos". Traduzindo: cobram para fazer exatamente aquilo que uma empresa de ingressos deveria fazer por padrão. É como se um restaurante cobrasse uma "taxa de mastigação" porque precisa pagar a conta de luz da cozinha. A criatividade brasileira para inventar cobrança não tem limites. Erika Hilton (PSOL-SP) entrou na briga e encaminhou as reclamações para a Senacon, chamando a nova taxa de "inaceitável". O Procon-SP também resolveu se mexer e notificou a empresa para explicar direitinho essa sacanagem toda. Porque uma coisa é cobrar por serviço prestado, outra é inventar taxa para cobrir custo operacional básico - que, teoricamente, já deveria estar embutido no preço original. Erika Hilton via X (antigo Twitter) O resultado prático é que um ingresso de R$ 322,50 vira R$ 426,22 - um aumento de 32,1% só em taxas. Para quem compra ingresso de R$ 895, o valor final chega a R$ 1.144,44. É quase como se a Eventim tivesse descoberto uma máquina de fazer dinheiro: pega o preço real, inventa três nomes diferentes para cobranças extras e pronto. Lucro garantido enquanto o consumidor se vira para entender por que pagar para ver My Chemical Romance ficou mais caro que uma passagem aérea. No fundo, é só mais um capítulo da saga brasileira de "como transformar tudo em negócio" - onde até respirar no evento provavelmente vai virar taxa em breve. A única surpresa é que ainda não inventaram a "taxa de indignação" para cobrir os custos de lidar com consumidor revoltado. Mas dê tempo ao tempo.
- James Hetfield e os caminhos não trilhados
Em uma tarde qualquer, sentado diante do microfone do podcast oficial do Metallica, James Hetfield recebeu uma pergunta que o fez pausar por alguns segundos. O que faria se o Metallica nunca tivesse existido? Para um homem que passou mais de quatro décadas moldando riffs de guitarra e berros guturais, a questão soa quase existencial. Aos 61 anos, o vocalista e guitarrista da banda de thrash metal mais famosa do planeta admite que a resposta é simples: "Eu provavelmente ainda estaria tentando formar o Metallica, ainda procurando por um Lars em algum lugar por aí." A música sempre foi o destino manifesto de Hetfield, mesmo quando ele limpava chão como zelador e colava adesivos em uma fábrica no início dos anos 1980. Ainda criança, já experimentava piano, bateria e guitarra – instrumentos que se tornaram as ferramentas de sua profissão. Mas o músico reconhece que, sem o quarteto lendário, talvez estivesse nos bastidores da indústria musical, trabalhando como roadie ou técnico de estúdio, "com sorte ajudando a fazer música de alguma forma", como ele mesmo diz. O que poucos sabem é que Hetfield cultiva paixões paralelas que revelam um artista multifacetado. O design gráfico, por exemplo, não é apenas um hobby – foi ele quem criou o icônico logo do Metallica e esboçou capas como a de "Master of Puppets", de 1986. Durante a pandemia, descobriu na marcenaria uma válvula de escape inesperada, construindo mesas de madeira que vendeu em benefício de instituições de caridade através da Covid Collection by JH. "Eu amo artes gráficas, adoro fazer ilustrações. Também gosto de trabalhos manuais, trabalhar com madeira, metal, construir coisas", reflete. Créditos: Mat Hayward/Getty Images A especulação sobre vidas alternativas ganha contornos quase filosóficos quando Hetfield admite que a música é "um dom que recebi". Mesmo em universos paralelos onde o Metallica jamais existiu, ele se vê inevitavelmente gravitando em torno da música, seja criando, seja facilitando a criação alheia. É como se o destino fosse uma corda de guitarra afinada em ré – não importa como você a toque, sempre produzirá o mesmo som. Enquanto isso, no mundo real, o Metallica prepara-se para estender a turnê "M72" até 2026, levando seu palco circular e o famoso Snake Pit para estádios europeus. A produção promete a mesma experiência de 360 graus que tem conquistado multidões desde abril de 2023, acompanhada por bandas como Gojira e Knocked Loose. E assim, James Hetfield continua sua jornada no único caminho que realmente conhece – aquele pavimentado por amplificadores e distorções, onde cada acorde ecoa a certeza de que não poderia estar fazendo outra coisa.
- Quando o streaming bate à porta do passado: Roberto Carlos, contratos velhos e royalties de centavos
O Supremo Tribunal Federal vai ter que responder uma pergunta que parece tirada de um álbum do Roberto Carlos: dá pra tocar o passado no repeat digital? O cantor e os herdeiros de Erasmo Carlos querem rescindir contratos com a editora Fermata do Brasil, assinados entre os anos 1960 e 1980, quando streaming era só uma palavra futurista perdida num vinil de ficção científica. A alegação é que, naquele tempo, a negociação era para LP, fita cassete, vitrola e muito papel carbono — não para o Spotify. A Fermata já venceu duas vezes na Justiça, com base na cláusula que crava: “cessão irrevogável”. Para a gravadora, rever isso agora seria abrir uma caixa de Pandora jurídica que faria o mercado musical inteiro tossir no ritmo de “O Calhambeque”. Já os artistas dizem que estão recebendo migalhas pelas faixas digitais e que falta transparência na prestação de contas. O argumento: contratos feitos em outro século, num Brasil analógico, não podem simplesmente ser esticados como chiclete até a era dos algoritmos. A ação, agora nas mãos do STF e sob relatoria de Dias Toffoli, pode virar referência para casos semelhantes. Porque se Roberto Carlos, com sua aura de intocável, está brigando por royalties de “Pega na Mentira” e “Jesus Cristo”, que dirá o resto da classe artística tentando descobrir quantas vezes sua música foi ouvida no celular de um adolescente em 2024. Até agora, nem o rei nem os herdeiros de Erasmo quiseram comentar. Estão em silêncio, talvez compondo mentalmente a trilha sonora dessa nova batalha: "Detalhes tão pequenos de nós dois que a Justiça ainda vai julgar".
- Yoko Ono, os Beatles e o mito que todo mundo quis acreditar
Durante anos, Yoko Ono foi o bode expiatório oficial do fim dos Beatles (exótica, incompreendida, deslocada) e frequentemente injustamente caricaturada. Mas essa historinha, repetida à exaustão em mesa de bar e grupo de WhatsApp de tiozão, simplesmente não se sustenta. No vídeo de Júlio Ettore, jornalista que escava verdades como quem abre feridas antigas, a narrativa muda de figura: Yoko não destruiu nada. No máximo, entrou num castelo de cartas que já tremia por todos os lados. O grupo já estava no modo “família que só se encontra no Natal” desde a morte de Brian Epstein, o empresário que segurava a barra como um pai que paga as contas e diz “não” com cara séria. Sem ele, os quatro gênios viraram quatro sócios brigando pelo Wi-Fi da empresa. John Lennon, por sua vez, já tinha jogado o copo na parede e estava atrás de um novo sentido pra vida - encontrou em Yoko alguém que ouvia seus delírios como poesia e não como loucura. Uma aliança que assustava, porque fugia do roteiro de rockstars e musas decorativas. Yoko Ono registrada durante ensaio fotográfico dos Beatles - Divulgação Claro que ter Yoko sentada no estúdio, dando pitaco onde antes só se ouvia baixo e bateria, causou estranhamento. Ringo revirou os olhos, George evitou o assunto e Paul... bem, Paul demorou, mas um dia admitiu que talvez todos tenham sido cruéis demais com ela. Ela "metia o bedelho"? Sim. Mas era uma mulher apaixonada, tentando existir em meio a um clube do Bolinha em colapso emocional. E no meio disso tudo, apareceu Allan Klein, empresário que mais parece vilão de novela das oito, causando rachaduras onde já só havia fita adesiva. O que fica claro é que Yoko só virou símbolo porque ousou ser quem era num ambiente que não sabia lidar com diferença. Não foi ela quem acabou com a banda. Foram os egos, os silêncios, a falta de abraço, os contratos mal escritos, as drogas e o cansaço profundo de serem lendas ainda vivos. No fim, como bem resume o vídeo: não foi Yoko. Foram eles. Foram todos. Foi o peso insustentável de ser um Beatle.
- A anarquia espontânea de Billie Joe Armstrong
Sex Pistols (With Billie Joe Armstrong) - Anarchy in the U.K | Tons of Rock 2025 Há momentos na história do rock que não podem ser planejados, apenas vividos. Na última quinta-feira, em Oslo, Billie Joe Armstrong protagonizou um desses instantes de pura espontaneidade punk quando abandonou a posição segura de espectador nos bastidores para se transformar em coadjuvante de luxo dos Sex Pistols. O que começou como uma noite comum no festival Tons of Rock virou uma lição involuntária sobre a natureza contagiosa da música. Armstrong assistia ao show das lendas do punk britânico quando "Anarchy in the UK" começou a ecoar pelo palco. Por um minuto e meio, o vocalista do Green Day manteve a compostura de headliner que aguarda sua vez. Mas então algo ancestral despertou – talvez a memória de um adolescente californiano descobrindo o punk pela primeira vez, ou simpemente a impossibilidade física de ficar parado diante daqueles acordes. Ele correu para o palco como quem corre para salvar a própria vida. O que se seguiu foi um espetáculo de pura devoção musical. Armstrong dividiu os vocais com Frank Carter, saltou, gritou, abraçou – comportou-se menos como uma estrela consolidada e mais como um fã que ganhou na loteria. A cena carregava uma ironia deliciosa: o homem que transformou o punk em produto global, vendendo milhões de discos com o Green Day, voltava às origens mais cruas do gênero, celebrando justamente a canção que pregava a destruição de tudo o que ele próprio representava. O público de Oslo testemunhou algo raro: a hierarquia do rock sendo temporariamente suspensa em nome da paixão genuína. Armstrong não subiu ao palco por estratégia de marketing ou networking, mas por puro impulso adolescente – aquele mesmo que um dia o fez pegar uma guitarra e gritar contra o mundo. Por alguns minutos, o frontman milionário desapareceu, dando lugar ao punk de 15 anos que ainda habita em algum canto de sua alma. Enquanto o Green Day segue sua turnê milionária pela Europa e os Sex Pistols se preparam para conquistar a América do Norte, resta a lembrança de que, por mais que o punk tenha sido domesticado pela indústria, sua essência selvagem ainda pode despertar a qualquer momento. Basta que alguém tenha coragem suficiente para correr em direção ao palco – e esquecer, por alguns instantes, quem deveria ser.
- Fernanda Lira revela trauma que a fez parar de beber: "Lembrei do meu tio tentando matar a família"
Fernanda Lira, vocalista e baixista da banda Crypta, contou à revista britânica Metal Hammer como decidiu parar de beber em 2018. A mudança aconteceu depois de presenciar uma briga violenta entre bêbados durante uma turnê no México, o que a fez reviver memórias traumáticas da infância. “Tinha sangue por toda parte. Lembrei do meu tio tentando matar a família no Natal”, disse. A artista afirma que tomou a decisão por motivos éticos e pessoais, mais do que por saúde, embora também tenha sentido benefícios físicos e emocionais. Desde então, ela costuma compartilhar sua jornada de sobriedade nas redes sociais e em entrevistas. Em abril, completou sete anos sem álcool. Mas o caminho não foi fácil. Fernanda revelou que, ao parar de beber, passou a ser vista como “a amiga chata” e acabou perdendo vários amigos que não compreendiam sua nova postura. “Eram amigos de bar. Do nada, parei de ser chamada pra tudo”, contou. Ela ainda explicou que foi mais difícil se tornar abstêmia do que vegana, o que já havia feito anos antes. Para Fernanda, o álcool é um vício social: “Tem gente que não consegue se soltar sem beber. Eu sentia isso também.” Hoje, além de estar sóbria, a cantora segue na ativa com a Crypta, que embarca em julho na turnê “In the Other Side Tour”, com mais de 20 shows confirmados pelo Brasil.
- Good Charlotte lança "Rejects" e confirma novas músicas nos shows do Brasil em agosto
Good Charlotte apresenta “Rejects” ao vivo no Jimmy Kimmel Live! Prestes a desembarcar no Brasil para a segunda edição da I Wanna Be Tour, o Good Charlotte lançou o novo single “Rejects” com uma performance ao vivo no programa Jimmy Kimmel Live, apresentado pelo ator Diego Luna. A faixa faz parte do oitavo álbum da banda, Motel Du Cap, que será lançado no dia 8 de agosto. Formado por Joel Madden, Benji Madden, Paul Thomas e Billy Martin, o grupo retorna com material inédito e promete incluir as novas músicas nos shows em território brasileiro. O Good Charlotte se apresenta em Curitiba no dia 23 de agosto e em São Paulo, no Allianz Parque, no dia 30, ao lado de nomes como Fall Out Boy, Yellowcard e Fresno. A turnê celebra o pop punk dos anos 2000 e ainda tem ingressos disponíveis pela Eventim. Se bateu nostalgia, vale conferir a performance de “Rejects” – eis o link: bit.ly/4esBJxf
- O Festival que Bruce Dickinson Odeia (Mesmo Nunca Tendo Tocado Lá)
Existe uma geografia peculiar dos festivais de rock. Há aqueles onde o Iron Maiden desce do avião pilotado pelo próprio Bruce Dickinson – Donington, Wacken, Rock in Rio –, e há aquele onde jamais pousará: Glastonbury. A recusa não é capricho de estrela veterana, mas uma questão de princípios que revela tanto sobre a banda quanto sobre o estado atual da música popular. "Eu sempre disse que recusaria o Glastonbury se alguma vez formos convidados", declarou Dickinson ao jornal The i Paper, com a franqueza de quem já não precisa provar nada a ninguém. "Não quero tocar na frente de Gwyneth Paltrow e uma tenda infestada de perfume." A frase, dita quase de passagem, carrega o peso de uma filosofia estética: a música como experiência autêntica versus a música como acessório social. Bruce Dickinson (usando boné) a bordo do Legacy 500 da Embraer - Foto: Divulgação/Embraer O vocalista do Iron Maiden ergue uma barricada invisível entre dois universos do entretenimento. De um lado, os festivais onde metaleiros suados celebram décadas de devoção musical; do outro, Glastonbury, com suas fileiras VIP repletas de celebridades e suas "atrações alternativas" – teatro, circo, instalações artísticas que transformam a música em apenas uma das opções do cardápio cultural. Para Dickinson, essa diluição representa uma traição aos fãs verdadeiros: "Não é só sobre ganhar dinheiro. Queremos que um monte de gente venha e nos veja." A crítica ganha contornos sociológicos quando Emily Eavis, organizadora do Glastonbury, admite ao Telegraph que "não há muitos jovens nomes de rock, com honestidade". Seus "dias dourados de juventude" foram em 1995, com Oasis, Pulp e Radiohead – uma época em que o rock ainda ditava o zeitgeist cultural. Hoje, o line-up de 2025 inclui Olivia Rodrigo, Rod Stewart, Muse e The 1975, refletindo, nas palavras de Eavis, "o que está acontecendo neste momento no mundo da música". A recusa do Iron Maiden a Glastonbury funciona, assim, como uma declaração de independência estética. Enquanto outros festivais se adaptam aos ventos do mercado, a banda de Bruce Dickinson e Steve Harris escolhe permanecer fiel a uma ideia quase arcaica: a de que o rock deve ser vivido com intensidade visceral, longe das tendas perfumadas e dos sorrisos ensaiados para as câmeras. É uma forma elegante de dizer não ao mundo – e de continuar sendo exatamente quem sempre foram.
- Lenine e o disco novo: “Cada faixa é um capítulo de romance”
Lenine suou - no palco e nas palavras. Antes da entrevista no Festival Turá 2025, a equipe pediu uns minutinhos: “É que ele quer se recompor, pra não chegar derretido nos jornalistas”, avisou a produtora, bem-humorada. O músico pernambucano de 66 anos tinha acabado de incendiar o Parque Ibirapuera ao lado da Spok Frevo Orquestra, parceria afiada desde o carnaval recifense. Lenine foi pura simpatia. Abraçou, agradeceu, exaltou os 18 músicos do Spok e descreveu o show como um transe: “O palco é minha missa. É meu elo com o divino, mesmo sendo meio à toa e meio ateu”, filosofou. No repertório, hits como “Hoje Eu Quero Sair Só”, “Paciência” e “Leão do Norte” fizeram o público vibrar. “No Turá eu me sinto como pinto no lixo. Com esse escândalo de música, eu reverbero”, resumiu. Depois do show, ele revelou que vem disco novo por aí: “Eita” chega no segundo semestre, com turnê nacional já em gestação. Recife, Salvador, Fortaleza, Rio, São Paulo e Porto Alegre estão no mapa. “Sou um anacronismo, ainda faço álbum. Mas é porque só assim posso contar uma história inteira. Cada faixa é um capítulo”, explicou. Depois de quase uma década sem inéditas, Lenine volta à ficção sonora com romance completo - um disco inteiro pra se ouvir como quem lê livro bom: de cabo a rabo.
- Considerações sobre o matriarcado metálico por Mercedes Lander
Mercedes Lander, baterista do Kittie, disse uma coisa óbvia que ainda precisa ser dita: as mulheres são o futuro de tudo. Em entrevista ao canal Loud TV, a canadense foi direta como uma pancada de bumbo duplo quando questionada sobre o papel feminino no heavy metal. "Sem as mulheres, você não tem nada", declarou, e pronto — conversa encerrada, microfone no chão. A ironia é que Mercedes também admitiu que "a cena metal não mudou". Segundo ela, as coisas continuam iguais, só há mais representação feminina agora. É aquela situação familiar: o cenário permanece hostil, mas pelo menos agora tem mais gente para dividir os perrengues. "Além disso, nós estamos mais velhas e cansadas", brincou a baterista — porque humor é sempre uma válvula de escape quando se fala de décadas batalhando em território masculino. Drumeo Podcast/Divulgação O que chama atenção é como as mulheres no rock e metal seguem enfrentando os mesmos obstáculos de sempre: preconceito de gênero, racial, etário, socioeconômico e por aí vai. É como se fosse um bingo da intolerância, onde você marca quantas casas consegue preencher só por existir. Mesmo assim, elas continuam resistindo, tocando, compondo e provando que pertencem àquele palco tanto quanto qualquer um. A presença feminina cresceu não só entre as artistas, mas nos bastidores da indústria e na própria plateia. Isso é fundamental para que a cena evolua e pare de ser um clubinho exclusivo daqueles que acham que metal de verdade só pode ser feito por homens heterossexuais brancos de 20 e poucos anos — os mesmos que fazem teste de metaleiro como se fosse vestibular. Mercedes e o Kittie seguem com shows pelos Estados Unidos este ano, carregando a bandeira de quem nunca precisou pedir licença para estar onde sempre deveria estar.
- Selo de rock cristão estreia com faixa “fofa” sobre o uso diabólico do nome de Deus
O Se Vira Music, que há anos pulsa no zap como o maior coletivo fervilhante de bandas do rock cristão, jornalistas, radialistas e outros agitadores da cena, segue fazendo o que poucos fazem: pensar. Por lá, discute-se de tudo — dos temas espinhosos, como “o que esperar de um Brasil evangélico?”, aos nem tão urgentes assim, tipo “por que o arroba Rock Com Cristo parou de seguir e postar bandas da própria cena?”. Já no Instagram, a coisa muda de forma: vira um zine visual, provocativo, capaz de fazer certos religiosos surtarem. Pois bem — essa coisa que é várias em uma só acaba de dar um passo importante, em parceria com Moisés Di Souza (ex-Banda Azul): tornar-se oficialmente um selo musical. A estreia aconteceu no último dia 10, quando selou e lançou nas prateleiras digitais “Deus sem Jesus é o Diabo”, a mais recente provocação sonora da banda Judeu Marginal. Uma faixa “fofa” sobre como o nome de Deus foi — e ainda é — usado para justificar atrocidades múltiplas. Além do trio da Baixada Fluminense, o Se Vira Music já anunciou outras apostas do cenário independente: Apogeu, de São Paulo; Keystone, de Niterói/RJ; Conexão Vibration, de Natal; e AHPE, de Caxias do Sul estão entre os nomes que já rechearam as publicações do selo — os anúncios geralmente são feitos em uma das “páginas” dos carrosséis, formato adotado para os posts. O selo nasce pequeno, mas barulhento. Se vai crescer? Se vai incomodar mais ainda? Se vai seguir sendo referência? Só o tempo — e os carrosséis — dirão. Por ora, uma coisa é certa: a tartaruga virou selo. E começou virada no jiraya.
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