Yoko Ono, os Beatles e o mito que todo mundo quis acreditar
- Heitor Brandão

- 25 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 30 de jun. de 2025

Durante anos, Yoko Ono foi o bode expiatório oficial do fim dos Beatles (exótica, incompreendida, deslocada) e frequentemente injustamente caricaturada. Mas essa historinha, repetida à exaustão em mesa de bar e grupo de WhatsApp de tiozão, simplesmente não se sustenta. No vídeo de Júlio Ettore, jornalista que escava verdades como quem abre feridas antigas, a narrativa muda de figura: Yoko não destruiu nada. No máximo, entrou num castelo de cartas que já tremia por todos os lados.
O grupo já estava no modo “família que só se encontra no Natal” desde a morte de Brian Epstein, o empresário que segurava a barra como um pai que paga as contas e diz “não” com cara séria. Sem ele, os quatro gênios viraram quatro sócios brigando pelo Wi-Fi da empresa. John Lennon, por sua vez, já tinha jogado o copo na parede e estava atrás de um novo sentido pra vida - encontrou em Yoko alguém que ouvia seus delírios como poesia e não como loucura. Uma aliança que assustava, porque fugia do roteiro de rockstars e musas decorativas.

Claro que ter Yoko sentada no estúdio, dando pitaco onde antes só se ouvia baixo e bateria, causou estranhamento. Ringo revirou os olhos, George evitou o assunto e Paul... bem, Paul demorou, mas um dia admitiu que talvez todos tenham sido cruéis demais com ela. Ela "metia o bedelho"? Sim. Mas era uma mulher apaixonada, tentando existir em meio a um clube do Bolinha em colapso emocional. E no meio disso tudo, apareceu Allan Klein, empresário que mais parece vilão de novela das oito, causando rachaduras onde já só havia fita adesiva.
O que fica claro é que Yoko só virou símbolo porque ousou ser quem era num ambiente que não sabia lidar com diferença. Não foi ela quem acabou com a banda. Foram os egos, os silêncios, a falta de abraço, os contratos mal escritos, as drogas e o cansaço profundo de serem lendas ainda vivos. No fim, como bem resume o vídeo: não foi Yoko. Foram eles. Foram todos. Foi o peso insustentável de ser um Beatle.
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