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O baixo que mudou o pop também sente: Paul McCartney lamenta falência da Höfner

  • Foto do escritor: Heitor Brandão
    Heitor Brandão
  • 19 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura
O baixo que mudou o pop também sente: Paul McCartney lamenta falência da Höfner
Foto: Cristiano Mariz / Agência O Globo

Se instrumentos tivessem sentimentos, o baixo violino de Paul McCartney provavelmente estaria em silêncio hoje. Daqueles respeitosos, quase cerimoniais. O motivo não é pequeno: a Höfner, marca alemã que ajudou a moldar não só o som dos Beatles, mas boa parte da história da música pop, entrou com pedido de falência. E sim, Paul sentiu.

 

O ex-beatle usou o Instagram para reagir à notícia, com a sobriedade de quem sabe que algumas relações vão muito além do mercado. “Estou triste em ver a Höfner falir”, escreveu, ao lado de uma foto em preto e branco segurando um de seus baixos clássicos, como se fosse um velho amigo reencontrado num corredor vazio.

 

Não é exagero dizer que a Höfner corre nas veias musicais de McCartney. “Eles fabricam instrumentos há mais de 100 anos, e eu comprei meu primeiro baixo Höfner na década de 60. Desde então, sou apaixonado por ele”, contou. A declaração segue quase como uma carta de amor musical: o baixo é “leve”, “incentiva a tocar com liberdade” e oferece “variações agradáveis de timbre”. Em outras palavras, tudo o que um jovem compositor precisava para mudar o mundo sem parecer que estava tentando.

 

No fim da postagem, Paul faz o que sempre soube fazer bem: encerra com elegância. “Então, minhas condolências a todos em Höfner e obrigado por toda a ajuda ao longo dos anos.” Simples, direto e com aquele peso emocional que só quem atravessou seis décadas de música consegue carregar sem esforço.

 

A relação entre McCartney e a Höfner, aliás, ganhou um capítulo digno de roteiro recentemente. O baixo original comprado por ele em Hamburgo, em 1961, ficou desaparecido por cerca de 50 anos e foi finalmente devolvido em 2024. Foi com ele que Paul ajudou a compor hinos fundadores dos Beatles, como “Love Me Do” e “She Loves You”, quando o futuro ainda parecia só um barulho bom vindo de Liverpool.

 

O reencontro não ficou só na vitrine da memória. McCartney voltou a tocar o instrumento em dezembro de 2024, durante um show na O2 Arena, em Londres. A noite já seria histórica por si só, mas ganhou contornos ainda mais emocionantes quando Ringo Starr apareceu para uma reunião beatle que fez o tempo dobrar sobre si mesmo, por alguns minutos.

 

E como toda boa história merece ser contada até o fim, vem aí um documentário. Anunciado em setembro, The Beatle and the Bass vai narrar a saga do instrumento perdido e encontrado, com participação direta de McCartney. Ainda não há data nem plataforma confirmadas, o que só aumenta o suspense para fãs, músicos e qualquer pessoa que já acreditou que objetos também guardam alma.

 

Enquanto isso, a falência da Höfner soa como um acorde melancólico no fundo da história da música. Mas se existe consolo, ele está nas canções, nos palcos e em cada nota que aquele baixo ajudou a criar. Algumas empresas acabam. Alguns instrumentos envelhecem. Mas certos sons seguem tocando, mesmo quando o silêncio tenta se impor.

 
 

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