São Paulo vive boom de shows, mas pesquisadora alerta: “Sem cena independente, o futuro empobrece”
- Heitor Brandão

- 20 de out. de 2025
- 1 min de leitura

Em matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo, em 19 de outubro, São Paulo se consolida como a capital dos shows na América Latina. Segundo o Visite São Paulo Convention Bureau, entre setembro e novembro a cidade terá 913 eventos, sendo 372 shows e festivais. O número de apresentações musicais dobrou em um ano — de 1.492 no primeiro semestre de 2024 para 2.981 em 2025.
Mas o sucesso vem com alerta.
A socióloga Dani Ribas, especialista em mercado da música e coordenadora do Instituto Abramus, afirma que o avanço dos megafestivais está sufocando a cena independente.
“Os grandes conglomerados dominam a audiência e os patrocínios. Os pequenos perdem espaço”, diz.
Para ela, os pequenos palcos — como a Casa do Mancha e a Casa de Francisca — são essenciais para renovar o mercado.
“É ali que os artistas começam. Sem esse circuito, não teremos novos nomes nos grandes festivais daqui a dez anos.”
Dani também apresentou ao Estadão dados inéditos: a arrecadação de direitos autorais em shows chegou a R$ 38 milhões até setembro de 2025, superando todo o ano de 2023.
“A rubrica ‘show’ está em franco crescimento. É essencial para a sustentabilidade do setor”, explica.
Mesmo com o aquecimento — o The Town 2025, por exemplo, movimentou R$ 2,2 bilhões e gerou 25 mil empregos —, Dani reforça que o equilíbrio entre grandes arenas e espaços menores é o que mantém a música viva.
“A cena precisa respirar. É nos palcos pequenos que o novo nasce.”
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