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Seu Jorge lança disco mais sofisticado da carreira

  • Foto do escritor: Olivia Lancaster
    Olivia Lancaster
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura
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Reprodução / Instagram Seu Jorge

Oito anos depois de concluir as gravações e quase duas décadas após idealizar o projeto, Seu Jorge finalmente colocou nas plataformas o álbum “The other side”. O disco lançado nesta sexta-feira (8) marca uma virada estética na carreira do cantor carioca e reúne o trabalho mais sofisticado de sua trajetória solo.

 

Conhecido por misturar samba-rock, soul e MPB desde os tempos do grupo Farofa Carioca, o artista aposta agora em um repertório mais elegante, intimista e orquestral. O resultado é um álbum que valoriza a voz grave de Seu Jorge com arranjos grandiosos e produção minuciosa.

 

A abertura já dá o tom do projeto. Em “Crença”, composição de Milton Nascimento e Márcio Borges, o cantor interpreta versos sobre resistência e solidão que acabam funcionando quase como uma declaração pessoal após anos de hiatos e discos irregulares.

 

Produzido por Seu Jorge em parceria com Mario Caldato Jr. (nome histórico ligado aos Beastie Boys e também ao álbum “Samba esporte fino”), o trabalho ganha dimensão cinematográfica com os arranjos assinados por Miguel Atwood-Ferguson.

 

As cordas e os sopros aparecem de forma marcante em “Vento de maio”, faixa gravada com Maria Rita. A música cresce em clima dramático sem perder leveza, criando um dos momentos mais fortes do disco.

 

Em contraste, “Girl you move me” aposta em uma interpretação mais suave, quase minimalista. O violão e o canto remetem diretamente à influência de João Gilberto, sensação que reaparece em “Luz na escuridão”, samba inédito de Cezar Mendes e José Carlos Capinan.

 

Seu Jorge também revisita músicas menos óbvias do repertório brasileiro. “Caboclo”, de Arthur Verocai e Vitor Martins, surge com atmosfera mais densa e guitarras discretamente psicodélicas. Já “Far from the sea”, eternizada por Bebel Gilberto, aparece em tom contemplativo e delicado.

 

As participações especiais ajudam a ampliar a identidade do álbum sem tirar o protagonismo do cantor. Além de Maria Rita, o disco reúne Marisa Monte, Beck e o grupo belga Zap Mama.

 

Na reta final, “River man”, clássico cult de Nick Drake, ganha interpretação melancólica em dueto com Beck. Depois, “Beleza bárbara” encerra o álbum em clima sofisticado, com destaque para os sopros tocados pelo próprio Seu Jorge.

 

“The other side” chega em um momento em que Seu Jorge parece menos interessado em hits imediatos e mais disposto a construir uma obra madura. A espera longa pelo lançamento talvez explique parte da expectativa em torno do disco. Desta vez, ela faz sentido.

 
 

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