Deftones retorna após cinco anos com álbum que equilibra nostalgia e frescor
- Heitor Brandão

- 22 de set. de 2025
- 2 min de leitura

Com quase quatro décadas de estrada, o Deftones prova que ainda é uma das bandas mais relevantes do rock contemporâneo. Do auge da era dos CDs a palcos históricos como o Madison Square Garden, passando pela curadoria de seu próprio festival e pela ascensão no TikTok, o grupo californiano se mantém em evidência. Após cinco anos sem inéditas, o hiato chegou ao fim com o lançamento de “Private Music”, novo álbum que já movimenta fãs antigos e conquista novos ouvintes.
O primeiro contato do público com o trabalho foi o single “My Mind is a Mountain”, faixa explosiva que, apesar da curta duração, manteve a energia característica da banda. O lançamento gerou tanto expectativa quanto apreensão sobre a direção do disco, mas o resultado final mostrou-se recompensador: ao longo de 11 faixas, o Deftones revisita suas fórmulas mais marcantes sem abrir mão de experimentações.
A recepção inicial aponta para dois caminhos distintos dentro do álbum. De um lado, músicas como “My Mind is a Mountain”, “Milk of the Madonna” e “Ecdysis” resgatam a intensidade dos anos 1990, com riffs pesados, baterias aceleradas e ecos do nu metal que consolidou a banda. De outro, composições como “Infinite Source”, “I Think About You All the Time” e “Departing the Body” exploram camadas etéreas e melódicas próximas ao shoegaze, mantendo viva a faceta mais atmosférica do grupo.
Esse equilíbrio reflete não apenas a trajetória do Deftones, mas também sua influência em novas gerações. Enquanto bandas de metal alternativo revisitam sua sonoridade inicial, jovens artistas de shoegaze adotam a estética sonora que Chino Moreno e companhia ajudaram a consolidar. Em muitos momentos, a troca parece circular: o Deftones inspira e, ao mesmo tempo, se deixa inspirar.
Apesar de não reinventar sua identidade, “Private Music” confirma a maturidade criativa da banda. Ao optar por refinar processos e apostar no que funciona, o Deftones entrega um trabalho consistente, capaz de soar atual sem perder o peso da nostalgia.
Para um grupo que sempre transitou entre agressividade e delicadeza, talvez essa seja a prova definitiva de que sua relevância não depende de tendências passageiras. Em 2025, o Deftones continua a soar tão vital quanto no início da carreira.
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