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Underground mineiro ganha novo capítulo em documentário

  • Foto do escritor: Heitor Brandão
    Heitor Brandão
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura
Underground mineiro ganha novo capítulo em documentário
Divulgação

Quem decretou a morte do rock talvez devesse dar uma volta pelos porões, galpões e casas de show de Minas Gerais. É justamente desse universo que nasce "Lampejo do Underground Mineiro II", novo documentário dirigido por Luis Gustavo Rosa de Moura, músico da Pepous People e entusiasta assumido da cena pesada local.

 

A continuação surgiu depois da boa recepção do primeiro filme. E, pelo visto, ninguém precisou insistir muito. Luis Gustavo conta que a ideia apareceu tanto pelo interesse de quem assistiu quanto pela própria vontade de voltar à estrada com uma câmera na mão. O documentário foi gravado durante o primeiro evento da produtora Lodo e reúne apresentações e entrevistas com bandas como Mães Morrendo, Orbe Cruciger e Old Auldrey's Funeral.

 

Desta vez, o diretor assumiu praticamente tudo sozinho, da captação à edição, passando pela mixagem. Trabalho de guerrilha, como costuma acontecer no underground. No primeiro filme, ele contou com apoio na pós-produção de áudio. Agora, resolveu encarar o processo inteiro de forma independente. Em compensação, acredita que o tempo maior de preparação ajudou a melhorar roteiro, entrevistas, iluminação e qualidade sonora.

 

Mais do que registrar shows, o filme funciona como um retrato de uma cena que segue se movimentando longe dos holofotes. Luis Gustavo rejeita a velha conversa de que o rock acabou e resume a proposta sem rodeios: "o rock tá vivo". Entre doom metal, sludge, heavy metal tradicional e outras vertentes pesadas, o documentário mostra uma comunidade que continua criando, organizando eventos e encontrando novas formas de circular sua arte.

 

O diretor também enxerga um momento positivo para o underground mineiro. Na avaliação dele, o acesso a editais, festivais e mecanismos de incentivo ampliou as possibilidades para bandas independentes tirarem projetos do papel e serem remuneradas por isso. Ao mesmo tempo, observa uma cena cada vez mais consciente sobre relações de trabalho e valorização dos artistas.

 

Se depender de Luis Gustavo, a câmera ainda vai rodar bastante. Enquanto divide o tempo entre fotografia, novos trabalhos musicais e projetos experimentais, ele já pensa no próximo registro da cena. A ideia é lançar "Lampejo do Underground Mineiro III" ainda este ano. Motivo não falta: nas palavras do diretor, tem "muito trem bacana acontecendo, muito rolê, muito som" que merece ficar registrado antes que vire apenas lenda de bastidor.



 
 

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