Mattilha transforma vícios em terror no clipe "Substância"
- Dante Azevedo

- 10 de jun.
- 2 min de leitura

O Mattilha encontrou no filme A Substância um ponto de partida para falar de um tema bem mais amplo. Lançado na última quinta-feira (4), o clipe de "Substância" mergulha em diferentes formas de dependência — químicas, emocionais e comportamentais — e transforma essa discussão em uma narrativa visual carregada de simbolismo.
Apesar da inspiração no longa estrelado por Demi Moore, a banda faz questão de deixar claro que a música não é uma adaptação da história. O filme serviu apenas como gatilho para uma ideia que já vinha sendo amadurecida.
"Todo mundo tem a sua substância", resumem os integrantes ao explicar o conceito da faixa.
No videoclipe, o vocalista Gabriel Martins percorre uma jornada dentro de um elevador que funciona como metáfora para a escalada dos vícios. Cada andar representa um novo estágio da busca por prazer imediato, até que a sensação de controle dá lugar ao desgaste físico e emocional.
Para Gabriel, a música reúne experiências vividas pela própria banda e situações presenciadas ao longo da estrada. O resultado é uma crítica à devoção cega, à obsessão por uma imagem perfeita e à tentativa constante de anestesiar a realidade.
"É uma jornada brutal da vida", define o cantor. Ainda assim, ele enxerga uma saída. Mesmo em meio ao caos, acredita que sempre existe a possibilidade de despertar, recomeçar e reconstruir a própria história.
Com referências ao horror psicológico de A Substância, o novo trabalho reforça uma característica que o Mattilha vem explorando nos últimos anos: usar o rock para discutir temas incômodos sem abrir mão de uma narrativa cinematográfica. Nesse caso, o terror está menos nos monstros e mais naquilo que cada um escolhe consumir para fugir da própria realidade.
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